Este tema é muito sensível para mim, mas finalmente consigo falar dele sem medos e sem vergonha.
Eu nasci muito gordinha, com quase cinco quilos, mas a partir dos meus oito meses que me tornei um bebé magrinho, comia e não engordava. Nunca foi um problema, até entrar no sétimo ano escolar, que comecei por ser alvo das ditas bocas de mau gosto, até chegarem mesmo à violência psicológica, porque era uma violência para mim.
O problema não era só a magreza em si, mas sim também a altura. Para alem de nascer gordinha, nasci também muito grande.
Sofri imenso durante este tempo todo, foram quase cinco anos a sofrer psicologicamente.
No inicio eram só comentários, do género "Ai és tão magra", "É que és magra e alta" ou "tu não engordas...". A partir dai só foi piorando, até chegar ao ponto de me chamarem de anóretica ou inventarem coisas sobre a minha alimentação. Se não comia num intervalo é porque não queria engordar. Se comia uma maça era porque tinha poucas calorias. Se dizia que estava mal disposta era porque não comia à muitas horas ou porque estava a tornar-me bulimica. Depois vieram os nomes horríveis e as alcunhas que me faziam sentir ainda pior, iam desde a famosa Olivia palito, à girafa, à torre, à gigante e muitos mais que me soavam todos a gozo e a troça da minha pessoa. Naquele momento não pensava como hoje, e hoje sinto que essas pessoas que me humilharam e me fizeram sentir mal comigo mesmo deviam ser pessoas muito frustradas e que não gostavam delas próprias para fazer-me isso.Quando entrei para uma agência de modelos, os comentários pioraram e humilhavam-me cada vez mais. Faziam-me duvidar tanto de mim, que sai simplesmente da agência com vergonha duma possivel negação, por ser demasiado magra. As frases que mais ouvi foram "Fizeste bem, eles não precisam de esqueletos andantes." ou "Nem sei como é que quiseram uma pessoa tão magra. Deve ser porque querem sempre as anoreticas agora".
Os tempos foram passando e a vergonha foi aumentando. Eu não gostava do meu corpo, não gostava de mim. Escondia-me de mim e de todos. As manias foram aumentando. Só usava calças, só usava camisolas que tapassem os braços finos e no verão usava casacos por mais finos que fossem, para ninguém ver. Haviam dias que nem conseguia olhar-me ao espelho, sentia vergonha de mim e cheguei mesmo a sentir nojo e tapar o espelho com lenços, para não ver a minha imagem.
Consegui, Consegui. Foram as minha palavras ao fim destes anos todos ao saber que tinha ultrapassado isto sozinha. Não quis dizer a ninguém, não queria que ninguém soubesse deste meu problema, que para mim era um grande problema. Hoje consigo olhar-me ao espelho sem problemas. Continuo na luta para engordar, mas já não é um obsessão. Mas é uma vitória quando engordo nem que seja meio quilo.
A essas pessoas que me humilharam e que me envergonharam estes anos todos, espero que estejam contentes pelo que fizeram, sem pensar uma única vez que essa rapariga magra e alta tinha sentimentos e que por acaso podia ter um problema psicológico, derivado a esses comentários que a destruíam por dentro. Passaram muitos anos, e hoje agradeço a essas pessoas porque graças a elas, sou o que sou hoje e tenho muito orgulho nisso. Hoje já não ligo a esses comentários maldosos e a única resposta que dou, com muito orgulho, é "Eu sou assim mesmo, e gosto!"
Passei por muitas coisas na vida que me fizeram como sou hoje. Sou forte, determinada e sensata. Venci, venci, venci mais uma batalha! E hoje partilho convosco ...
With Love,
Hirondelle




















































